segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ROBERTO: ADVOGADO ATIVISTA CULTURAL

Ativista cultural em Magé, Roberto da Silva é um sonhador que faz muito mais do que sonhar. Ele sonha e age, promovendo manifestos intelectuais, inclusive pela construção de um teatro em Magé, e também realiza todos os anos o festival da MPB, que por duas ou mais vezes estendeu ao Município vizinho, de Guapimirim. É com esse ativista que hoje conversamos.
E - Roberto: quando você deu início a essas atividades culturais e de reivindicações em Magé?
Roberto - Lá nos anos de 1999, ainda não existia o UPCM - Unidos Pela Cultura de Magé, que criei a partir da terceira edição do nosso Festival...
E - O que é o UPCM? Como atua esse grupo ou instituição? Foi criado com que fim?
Roberto - Unidos Pela Cultura de Magé é um movimento cultural independente que promove há mais de quinze anos o Festival, e por ser independente atua na área cultural. Hoje nós temos o Festival, O Manifesto "Magé Precisa de um Teatro" e um Jornal Cultural Mageense.
E - Imagino que você tenha muitas dificuldades para manter esse trabalho. Como é feito? Com ajuda do poder público? Da iniciativa privada? Quais são as barras que você precisa enfrentar e com que, de fato, você conta?
Roberto - Realmente, é feito com patrocínio da iniciativa privada, lembrando que são os pequenos comerciantes de mentes abertas que doam brindes enquanto outros pagam o som para o festival, prêmios etc. Com isso a barra será sempre pesada e conto sempre como pessoas como você que, abrindo esse espaço nos incentiva a continuar...
E - Um amigo, o Demétrio, disse que você é um advogado, e nós não temos o hábito de associar a figura de um advogado a eventos de natureza musical, entre outras artes. Achamos que o advogado se aproxima mais de um intelectual que de um artista. Que associação você faz disto e como se iniciou essa sua vontade de atuar com arte?
Roberto - Bela pergunta. Este amigo, Demétrio, um grande poeta mageense que admiro muito, um dia escreveu "A grandeza de um certo Roberto". Lá ele diz que eu, por ser um advogado, teria todas as portas abertas, mas optei pela vida simples. Agora, aproveitando a tua excelente pergunta, quero aqui manifestar que na faculdade eu já participava do MAU - Movimento Artístico Universitário, que promovia festivais de música e naquela época era muito protesto musical por causa do ato Institucional, o fim, todos nós sabemos. Recluso, passei a estudar música com o meu irmão (que até hoje é músico clássico da Orquestra Sinfônica Brasileira). Depois de formado, passei a tocar naqueles "conjuntos" de baile. Lembra? Até conhecer Neusa, uma mageense, que me fisgou. Mas, para sobreviver eu tinha que exercer a advocacia, o que eu comecei com um escritório particular e ultimamente, durante cinco anos no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Magé. No Sindicato, eu pude constatar o outro lado de Magé que, associado a minha natureza popular e social me fez optar pela vida simples, sem glamour, e que eu poderia dar minha contribuição mais como ativista cultural do que como advogado.
E - Uma história bonita. Não é à toa que meu amigo o admira tanto. Bem; sobre a demanda de talentos tanto para as artes quanto para a literatura, já que se fala muito em escritores de Magé, como você classifica essa demanda? Você a vê? E como você vê a demanda de apoio dentro de sua cidade? Ela existe, não existe ou quase não existe?
Roberto - Essa demanda começou há uns cinquenta anos, aqui em Magé, quando o Poder Público não investia em cultura. Aquela geração que hoje está madura e aposentada não passou pros filhos, nem pros netos o verdadeiro sentido e importância da cultura na formação do cidadão e da cidade onde hoje mora. Resultado, hoje, em nosso Festival da MPB os participantes são de fora, exceto alguns de mentes abertas daqui, e o Poder Público continua com a mesma mente de cinquenta anos atrás...
E - Você acredita que Magé tenha um embargo cultural que parte da mentalidade um tanto burguesa que restou do Brasil colônia? É algo que sempre ouço. Dizem que muitas famílias daí ainda têm brasão, inclusive. Você acha que isso emperra a natureza cultural da cidade?
Roberto - Em parte, acho que sim, mas, vivemos outras épocas, hoje, a cultura está digitalizada, estamos aqui eu e você com os dedos trêmulos de tanto clicar. É o modernismo associado a interesses coletivos.
E - A quem você atribui, além de seus esforços, o sucesso do festival de todos os anos? Prometo que está acabando.
Roberto - As mentes abertas e a todos que direta ou indiretamente contribuem com o festival...
E - Deixo, agora, que você se expresse como e para o que queira, sobre o assunto em pauta.
Roberto - Que todos acessem a nossa página http://festivalmage.blogspot.com.br e assinem https://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/31219 Magé precisa de um teatro e escrevam sobre a nossa cultura em nosso JORNAL DA CULTURA MAGEENSE ( http://www.wikijornal.com/culturamageense) e este ano participem da nossa décima sexta edição...
E – Obrigado, Roberto; foi uma honra para mim. Espero que mais e mais mentes se abram para a cultura, em Magé, e para a importância de seu trabalho dentro deste contexto.

Fotos: Roberto com a esposa Neusa; divulgação do próximo festival.