quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

"EM CADA SER VIVENTE UM POUCO DE MIM" - ENTREOLHOS COM O CANTOR E COMPOSITOR BARRONES

Entreolhamos hoje, o cantor e compositor Barrones. Ele é líder da banda com o mesmo nome, que é vencedora de algumas versões do festival da MPB em Magé, promovido pelo grupo Unidos Pela Cultura de Magé - UPCM -, liderado pelo advogado e ativista cultural Roberto da Silva.

E - Barrones; é este o seu nome, ou trata-se de sua assinatura como artista musical?

B - Trata-se de uma assinatura como artista no mundo do Punk Rock. Meu nome de batismo, é Luiz Carlos Lacerda Sobrinho.  
                               
E - Fale-nos de como surgiu a banda, e de algumas curiosidades que pautam a sua história. Quem são os componentes e quais são as suas atribuições?       

B - A banda BARRONES surgiu em 2010 no município de Guapimirim, com o objetivo de exaltar o Rock Nacional e os artistas independentes. Sempre trabalhei com música, mas parei por dez anos para me dedicar à família. Esperei o tempo certo para recrutar os músicos que hoje fazem parte do nosso projeto. Nossa responsabilidade é formar células capazes de se multiplicarem no universo da arte.    

E - Sabemos que você é um artista ousado; performático. Gosta dos excessos nas formas de cantar e dançar. Isso já lhe rendeu alguma crítica? 

B - Já ouvi frases, como: Não combina com a proposta do Festival. Rsrsrs.                                                                                         

E - As músicas que você e/ou a banda canta são autorais? Quem vocês gostam de interpretar?

B - 4- São Autorais. Rock Nacional independente.                                                                    

E - Fale-nos do festival da MPB. Vocês foram vencedores de algumas versões do festival. Quais delas? Como foi a sensação de vencer em um evento tradicional na cidade de Magé?    

B - Amamos os artistas que valorizam o Português em suas composições, e em todas as edições desse Festival tivemos a rica oportunidade de viver e sentir bem de perto a simplicidade que procuramos. Foram três participações, e todas com premiações carinhosas, eternas e super calorosas, a doce sensação de estar ao lado do povo e vivendo para o povo.                                                                                     

E - Um amigo que assistiu a uma das versões do festival em questão, disse que você, em especial, como vocalista da banda, não se importa muito com o número de expectadores, para cantar com todos os trejeitos e excessos característicos seus. Isso é respeito pelo público? Você acha que ainda que haja meia dúzia de pessoas, elas devem assistir ao seu máximo? O que mais envolve essa sua característica pessoal?                        


B - Nunca me importei com a quantidade. Acho que todos merecem o melhor. Procuro dar o meu máximo. E também, sou elétrico fora dos palcos.                                                                                            

E - Que olhar você tem sobre o cenário musical no país?

B - Acredito que existe espaço para todos os gêneros musicais, mas lamentavelmente um pequeno grupo é detentor de quase toda parte artística nesse país. Vivemos nos dias atuais o que chamo de ditadura da arte. Somos obrigados a fazer o que os coronéis vestidos de artistas impõem. Por outro lado, há o egocentrismo de artistas que procuram escrever seus nomes na história esquecendo e deixando de lado o respeito pelos colegas de estrada, tornando mais difícil o caminho. A maioria desses artistas da música preferem colocar em seu repertório faixas já consagradas a tocarem uma obra anônima, por exemplo. Esse tipo de atitude nos aprisiona, mantendo nossa voz muda paro o Brasil que pretendemos atingir.                                                                                         

E - E sobre a cidade de Magé, onde você mora? Qual é o seu olhar sobre ela, nesse mesmo aspecto? 
  
B - Magé é uma cidade riquíssima, mas está encarcerada pelos seus Senhores que fazem questão de manter a cultura amordaçada.                                                                                

E - Onde mais vocês se apresentam?                             

B - Baixada fluminense, região serrana e Rio de Janeiro. Depois do lançamento do nosso segundo EP (INSANO), pretendemos dar saltos maiores, como apresentar nosso trabalho fora do Estado.                                                                                                        

E - Vocês têm CDs lançados? Algum inédito em vista?

B - Temos o FANTOCHES, lançado em abril de 2013 e estamos trabalhando o INSANO, que deve ficar pronto em abril deste ano.                                                                                            

E - O poder público de sua cidade merece elogios ou críticas, no que tange o incentivo à cultura? Quais são os elogios e/ou críticas?                                                                           

B - Não podemos elogiar quem não investe nas pessoas. A administração de Magé é uma vergonha. Basta olhar a qualidade de vida das pessoas. É muito triste.                                                                                                                       

E - O Barrones pessoa é diferente do Barrones artista? Em que aspectos?

B - Somos muito parecidos, rsrsrs.  Em todos os eventos de que participo, procuro através de pequenos discursos incentivar as pessoas a buscarem conhecimento. Acredito que o conhecimento liberta. Ele é o óleo que lubrifica as engrenagens da vida. Sou um Punk político.                                                                                                    

E - Você me parece uma pessoa muito admirada em sua cidade. Essa admiração, você alcançou também na família?  A pergunta procede, diante do bordão de que santo de casa não faz milagre.

B - Meus irmãos são meus fãs, já a minha esposa e minha filha não curtem muito meu trabalho como músico. Acho que sou privilegiado com um bom equilíbrio neste sentido.                                                                                                                  

E - Você tem religião? Quer falar a respeito? Se não tem, quer dizer por que não? Só se quiser...
                               
B -  Não tenho religião; acredito no Amor ao próximo. Enxergo em cada ser vivente um pouco de mim. Penso que todas as fadigas da vida servem para ensinar algo e a reconstruir nossa estrada rumo ao desconhecido na terra de ninguém.                                                                                                                   

E - Você observa em seu redor, algum tipo de preconceito contra os artistas locais, em um todo?  

B - Sim. O ser humano é ególatra e isso faz com que sentimentos pobres ressuscitem algumas vezes. Cometemos esse tipo de desvio quase que a vida toda. Temos uma forte tendência a julgar e conceituar de forma leviana, o que só faz nos prejudicar e cair o tempo todo. A parte boa, é que toda tempestade pode causar muita destruição, mas também pode servir de atalho para uma grande reflexão e reconstrução da nossa empreitada terrestre.                                                                                                                       

E - Que mensagem você deixaria para a sociedade, sobre o valor da arte e da cultura, em geral?

B -  O Brasil não precisa de heróis nem de deuses, mas de artistas que reconheçam seus talentos e assumam suas missões de se multiplicarem. Que possamos viver o hoje, pois o amanhã não existe. Refiro-me à direta e à indireta; não concordo com a nomeação dos ministros do STF sem que eles passem, por concurso público, como todos os cidadãos brasileiros que estudam muito para alcançarem seus objetivos de carreira.                                                                                                                      

E - Defina, em palavras bem suas, o que é a música em sua vida.

B - É como água, de que necessito para continuar Vivo.                                                                                                                             

E - O que você mudaria, se pudesse, nas políticas que envolvem a cultura em sua cidade?

B - Acho que todos deveriam conhecer um pouco de direito Constitucional. Eu colocaria na grade curricular de todas as escolas da minha cidade. Trata-se de uma disciplina indispensável na formação do cidadão.                                                                                                                          

E - E no país?                                                                                                                       

B – Toda a Administração.                                                                                                                                             

E - O início de sua carreira foi influenciado por alguém? Se foi, de que forma?

B - Comecei vendo um maluco de cabelos compridos e jaqueta preta nos arcos da Lapa no Rio de janeiro. Fiquei fascinado como o visual diferente. Então, comecei a pesquisar sobre pessoas que se vestiam assim. Descobri que se tratava de metaleiros, o pessoal que curtia um som diferente e pesado. Acabei me apaixonando pela cultura Punk Rock e respiro esse estilo até hoje.                                                                                                                                                  

E - Quem são os cantores/compositores alvos de sua admiração mais profunda? Por quê?

B - Gosto de muitos artistas, principalmente dos brasileiros. Posso citar como exemplos, Tim Maia, Sandra de Sá, Zizi Possi, Elis Regina, Zé Ramalho, Benito de Paula, Sergio Zanni, Drenna Rodrigues, Tamires Cristina, Crhistiano Lima entre outros.                                                                                                                                                                       

E - Você tem a quem agradecer pelo que já obteve até hoje, com o que faz?
 
B -  À minha família e meus amigos de estrada.                                                                                                                                 
E - Consegue viver de música?     
                                                                    
B –Não.                                                                                                                                           

E - Qual é a sua definição de sucesso? Você se considera bem-sucedido no que faz?    

B -  Servir ao próximo, como exemplo. Procuro afinar minhas atitudes com Amor, isso garante meu sucesso.                                                                                                                                                                        

E - Deixe uma mensagem para o público, e fale sobre o que deseja, mas que não lembramos de perguntar. Ou seja: responda a alguma pergunta que não fizemos.

B - O ser humano é uma grande obra de arte. Nele podemos encontrar as mais variadas formas de crescimento, e apesar das limitações impostas para enxergar essa obra magnifica, sempre teremos a oportunidade, enquanto vivermos de tocar, sentir e evoluir, se assim desejarmos.                                                                                                                                      

E - Muito obrigado por se deixar entreolhar. Foi um grande prazer para nós.